a. Transição Para a Obra do Espírito Santo
O nomianismo nega a soberana eleição de Deus, pela qual Ele determinou infalivelmente, não com base na atitude ou nas obras previstas dos homens, mas conforme o seu beneplácito, quem seria e quem não seria salvo; rejeita a idéia de que Cristo, por sua morte expiatória, não somente tornou possível a salvação, mas de fato a garantiu para todos aqueles por quem ele entregou sua vida, de sorte que a vida eterna é, no sentido mais absoluto da palavra, uma livre dádiva de Deus, e em sua concessão os méritos humanos não são levados em consideração.
Por outro lado, o antinomianismo, sustenta que a imputação dos nossos pecados a Cristo torna-o pessoalmente um pecador, e que a aplicação da sua justiça a nós nos torna pessoalmente justos, de modo que Deus não vê mais nenhum pecado em nós; que a união dos crentes é uma “união de identidade” e a todos nos fez um com ele, em todos os aspectos; que a obra do espírito santo é inteiramente supérflua, desde que a redenção do pecador foi completada na cruz, ou – ainda com maior extremismo – que a obra de Cristo também era desnecessária, uma vez que a matéria toda foi estabelecida no decreto eterno de Deus; que o pecador foi justificado na ressurreição de Cristo ou mesmo no conselho da redenção, e, portanto, não tem necessidade da justificação pela fé, ou recebe nesta apenas uma declaração de uma justificação realizada previamente; e que os crentes estão livres da lei, não somente como condição da aliança das obras, mas também como regra de vida. O pecador deve entender que quaisquer sejam os pecados que ele cometa, não podem afetar a sua posição para com Deus.
Entretanto, na Escritura devemos distinguir entre a obra de Cristo merecendo a salvação, e a obra do Espírito santo aplicando-a. Cristo satisfez as exigências da justiça divina e mereceu todas as bênçãos da salvação. Mas a obra ainda não está terminada. Ele a continua no céu, a fim de dar àqueles por quem ele entregou sua vida, a posse de tudo quanto mereceu por eles, através do ministério do Espírito santo (Jô 16:13,14).
b. As Operações Gerais e Especiais do Espírito Santo
b.1 Operações Gerais do Espírito Santo
* O Espírito de Deus gera vida e leva a completar-se na obra criadora de Deus (Jó 33:4; Jó 34;14,15; Sl 104:29,30; Is 42;5). No Velho Testamento é evidente que a origem da vida, sua manutenção e seu desenvolvimento dependem da operação do Espírito Santo.
* Capacitou os heróis da fé à toda obra que Deus lhes tinha proposto (Jz 3:10; Jz 6:34; Jz 15:14)
* O Espírito separou homens para determinados ofícios (Moisés, Arão, Davi, etc)
* O discernimento intelectual, ou a capacidade de compreender os problemas da vida, atribui-se a uma influência iluminadora do Espírito Santo (Jó 32:8).
* O aprimoramento da habilidade artística também é atribuída ao Espírito do senhor (Ex 28:3; Ex 31:3).
* O Espírito operou na vida dos profetas (II Sm 23:2; Ne 9:30)
b.2 Relação Entre as Operações Gerais e as Operações Especiais do Espírito Santo
Há certa semelhança entre as operações gerais e as operações especiais do Espírito santo.
Com as sua operações gerais, Ele origina, mantém, fortalece e dirige toda sorte de vida – orgânica, moral e intelectual. Ele o faz de direfentes maneiras e em harmonia com os objetivos envolvidos. Algo similar se pode dizer da sua operação especial. Também na esfera redentora Ele origina a nova vida, capacita-a frutificar, dirige-a em seu desenvolvimento e a leva ao seu destino.
